quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um pouquinho de lá por mim- Árido é o sabor- capitulo 1

No último mês de setembro até meados de outubro fui para a região norte, especificamente para o Pará. Pude aprender e apreender muita coisa por lá, principalmente com a convivência com as comunidades quilombolas e ribeirinhas da região do baixo amazonas. São muitas histórias que quero compartilhar, mas no momento, por uma força maior chamada FACULDADE, meu tempo está milimétricamente calculado. Afinal, foram 35 dias longe da vida universitária propriamente dita. Por isso, vou compartilhar gota a gota o que pude ver, sentir e aprender por lá.

Árido é o sabor

Por Jaqueline Deister



Ê canta ae,
Ê conta ae,
A história do valente guerreiro que sai todo dia para pescar
Foram tantas, nem me lembro,
Pescador de memórias
Estivador de uma vida de lamento


Ê canta ae Ê conta ae,
As Marias continuam em suas casas,
Lavam roupa na beira do rio
e esperam os homens que saem para caçar,
Valente é a Maria que mesmo na agônia do seu dia tem força para cantar


Ê conta ae, Ê canta ae
A história do valente guerreiro que sai todo dia para pescar,
Silenciado e Oprimido no passado,
Ele começou agora a falar,
Esse homem tem muito mais do que história de peixe para te contar


Ê canta ae
Ê conta ae.....


A história está só começando....



Beijos
Jaque Deister

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Nem cozinheiro, nem jornalista: Congresso Nacional quer diploma para cabeleireiro


Semana passada vi no Jornal Hoje, da Rede Globo, uma notícia que me fez rir da politicagem realizada no Brasil. O riso foi um misto de raiva e indignação, mas, como diriam no Twitter, #euri.

A pauta da reportagem era a seguinte: está rolando no Congresso Nacional um projeto de lei que prê que profissionais da beleza - cabeleireiros, manicures, pedicures, etc - tenham algum tipo de certificação para poderem exercer a profissão. O projeto já foi aprovado na Câmara e agora só falta o Senado dar seu aval.

De acordo com a reportagem, a condição para continuar no mercado é ter concluído, pelo menos, a 8ª série do Ensino Fundamental, além de fazer cursos em instituições legalmente reconhecidas. Ainda segundo o Jornal Hoje, só estaria dispensado de fazer os cursos de qualificação quem está na área há, no mínimo, um ano.

Há ainda depoimentos de uma proprietária de salão de beleza, além de uma dona de casa que faz as unhas com uma manicure.

Vejam o que elas dizem:

Proprietária de salão: “Se você não tiver profissionais qualificados dentro da área, não tem como você crescer, não tem como o estabelecimento crescer, não tem como fazer com que os clientes saiam satisfeitos com o serviço prestado”.

Dona de casa: “Todos saem ganhando: o estabelecimento, que pode contar com profissionais certificados, o profissional que tem o seu trabalho devidamente reconhecido e remunerado, e a gente, como cliente, só tem a ganhar”.


Pois é, meus queridos, a coisa funciona assim: para cortar cabelo, querem curso e diploma. Para ser jornalista, não.

Vejam que tanto a proprietária do salão quanto a frequentadora de um deles diz que um profissional, digamos, certificado, dá mais segurança do serviço feito para clientes e patrões. Ou seja, o discurso ali privilegia a formação em detrimento do aprendizado empírico. Exatamente o contrário foi o que fizeram com o jornalismo. Tirou-se a obrigatoriedade do diploma com a desculpa de que jornalismo se aprende na prática.

Desculpem por estar falando de um tema já tão batido e debatido, mas é que essa descrença na profissão de jornalista me fere o umbigo. Irrita perceber o quanto as pessoas - e até mesmo profissionais de comunicação - não entendem a importância e a responsabilidade embutida em um veículo de comunicação.

O jornalista trabalha com a prerrogativa da verdade. Matérias de jornal são usadas em tribunais, em botequins e em teses de doutorado para provar que o que se fala é verdadeiro. Então, como podemos acreditar que fazer jornalismo é para qualquer um? Como podemos defender que a formação acadêmica de um jornalista é dispensável?

Se alguém entende como isto pode ser possível, por favor, me explique!


Abraços,



Clara Araújo

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chicago 2016

No título desse post o que menos importa é a cidade. Ali eu poderia ter escrito Madrid ou Tóquio que daria na mesma. Nesse post e nesse título, o que importa é não fazer campanha para que o Rio seja a sede dos jogos olípicos de 2016. Apesar dos motivos serem um tanto quanto óbvios, eu explico o porquê disso.

Você se lembra do Pan-americano de 2007? Se lembra que ele foi no Rio? E você se lembra da estrutura criada para os jogos? Se lembra também da verba "extra" que teve que ser usada para que as obras fossem terminadas?

Pois bem. Em 2007, já de olho em 2016, os governos Federal, Estadual e Municipal transformaram o Rio de Janeiro na capital do esporte das américas. E, para isso, não pouparam dinheiro.

Até aí, tudo bem. Fazer obras de infra-estrutura e criar complexos para competições esportivas da alto nível sai caro mesmo. Mas a aberração desta história está contida em dois aspectos. O primeiro, como já disse, foi a verba gasta para colocar tudo isso de pé: R$ 3,7 bilhões - 800% a mais do que o previstos pelo COB - compostos quase que na totalidade por dinheiro público (metade pelo governo federal). A segunda foi o destino que toda esta infra-estrutura teve.

O destino das obras feitas para o Pan já foram, inclusive, tema para este blog. Na ocasião, falei sobre o Parque Aquático Maria Lenk, fechado até hoje. O Parque, super moderno e que deveria treinar os atletas brasileiros do futuro, continua lá, sem uso e sem previsão de entrar em funcionamento. O mesmo acontece com o velódromo da Barra e com a Arena Multiuso, hoje HSBC Arena.

Então, eu pergunto: alguém aí realmente acredita que a realização das olimpíadas de 2016 no Rio vá trazer muitos benefícios?

Somos um país tão pobre e tão carente de coisas básicas que me parece luxo demais querer investir R$1,3 trilhão para criar estádios e afins. E se temos esse dinheiro para investir nas Olimpíadas, por que não investimos em educação, saúde e transporte? Por que preferir um evento midiático a resolver problemas reais e urgentes?

Por essas e outras, Rio 2106: soy contra!


Abraços,


Clara Araújo